O PDRN está, da noite para o dia, em todo lugar. Parece aquele último ingrediente cosmético viral que, depois de aparecer por toda parte, acaba desaparecendo com a mesma rapidez com que entra na composição de todos os cremes e séruns. No entanto, há algo que o diferencia de muitas das modas passageiras da cosmética: ele já é utilizado há algum tempo na medicina regenerativa, especialmente em processos de cicatrização e reparação dos tecidos.
Nos últimos anos, ele chegou à dermatologia estética e, de lá, aos nécessaires. Seu atrativo está no potencial para favorecer a regeneração da pele, modular a inflamação e melhorar sua qualidade. Embora exista outra parte dessa história que tenha contribuído especialmente para transformar o PDRN no ingrediente de que todo mundo está falando: boa parte do PDRN utilizado na medicina vem do DNA obtido do esperma de salmão ou de truta.
O polidesoxirribonucleotídeo (PDRN) é um conjunto de fragmentos de DNA de baixo peso molecular que vem sendo estudado por sua capacidade de favorecer a regeneração celular e a reparação dos tecidos. Seu mecanismo de ação está relacionado, entre outros processos, à ativação dos receptores de adenosina A2A.
Ou, dito de uma forma muito menos intimidadora: são pequenos fragmentos de DNA que nossas células podem aproveitar e que participam de processos relacionados à reparação e à regeneração dos tecidos.
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É aqui que aparece a parte mais curiosa da história. O PDRN utilizado em aplicações médicas é obtido principalmente a partir de material genético proveniente do esperma de determinadas espécies de salmão e truta, entre elas Oncorhynchus mykiss e Oncorhynchus keta. Depois, esse material passa por diferentes processos de extração, purificação e esterilização até chegar aos fragmentos de DNA que formam o ingrediente.
E por que justamente o esperma desses peixes? Não é porque o DNA do salmão tenha propriedades mágicas, mas por uma questão muito mais prática: o esperma é uma fonte especialmente abundante de DNA e permite obter grandes quantidades de material genético que posteriormente pode ser purificado.
Portanto, o resultado final também não é literalmente "esperma de salmão" aplicado diretamente sobre a pele. O produto utilizado na medicina é formado por fragmentos de DNA altamente purificados.
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É comum encontrar a afirmação de que o DNA do salmão é "quase idêntico" ao humano, mas a explicação real é que todo DNA possui a mesma estrutura básica que o nosso e é formado pelos mesmos componentes. Assim, quando esses fragmentos chegam às células, podem ser reutilizados por elas e ativar mecanismos relacionados à reparação e à regeneração dos tecidos.
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O PDRN despertou interesse por seus efeitos em diferentes processos envolvidos na reparação dos tecidos, já que pode favorecer a regeneração celular, modular a inflamação, estimular a formação de novos vasos sanguíneos e participar de processos relacionados à produção de colágeno e elastina.
Agora, uma coisa é o que sabemos sobre seus mecanismos biológicos e outra são os resultados que podemos esperar ao utilizá-lo com finalidade estética. Embora existam estudos sólidos sobre seu papel na cicatrização, as pesquisas especificamente voltadas ao rejuvenescimento facial ainda apresentam resultados variados.
Por isso, muito além das promessas milagrosas, é mais rigoroso entender o PDRN como um ingrediente com potencial para melhorar a qualidade geral da pele, e não como uma espécie de borracha capaz de apagar o envelhecimento do dia para a noite.
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Um dos grandes pontos fortes do PDRN é justamente a reparação dos tecidos. Pesquisas observaram que ele pode favorecer processos que ajudam as células a se multiplicarem e se deslocarem para as áreas danificadas, além de estimular a formação de novos vasos sanguíneos e modular a inflamação. Na dermatologia estética, essas propriedades despertaram interesse por sua possível capacidade de melhorar a textura da pele e suavizar determinadas marcas, incluindo cicatrizes de acne.
Mas é importante manter os pés no chão. Uma revisão de estudos publicada em 2024 encontrou resultados promissores para o uso estético, mas também apontou uma limitação importante: os estudos disponíveis ainda são bastante heterogêneos e são necessários ensaios clínicos de maior qualidade para saber até onde seus benefícios realmente chegam.
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E chegamos à promessa que provavelmente mais contribuiu para seu sucesso nas redes sociais: a Glass Skin. Aquela pele perfeitamente lisa, viçosa e luminosa que parece estar com o modo filtro ativado. É aqui que o marketing provavelmente foi um pouco mais rápido que a ciência.
Sabemos que uma pele bem hidratada e com a barreira cutânea em boas condições fica mais uniforme, luminosa e viçosa. Além disso, existem pesquisas que indicam que o PDRN pode participar de processos relacionados à reparação da matriz extracelular.
Um estudo publicado em 2026, por exemplo, analisou uma preparação tópica específica de PDRN e seu possível papel na reparação da matriz extracelular em modelos de pele fotodanificada. No entanto, o PDRN não é uma fonte milagrosa de hidratação por si só. Além disso, seu tamanho molecular traz dificuldades para atravessar a barreira cutânea. Por isso, novas formulações estão sendo estudadas para melhorar sua estabilidade e sua chegada às camadas superficiais da pele.
Portanto, o resultado de um cosmético com PDRN será muito mais modesto do que o de um tratamento injetável e dependerá da fórmula completa, da concentração e de como o produto foi desenvolvido.
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Outro grande atrativo do PDRN é sua possível relação com os fibroblastos, células responsáveis pela produção de boa parte do colágeno da nossa pele. Estudos sobre seus mecanismos observaram efeitos relacionados à atividade dessas células e à reparação da matriz extracelular.
Isso transformou o PDRN em um ingrediente interessante quando falamos de firmeza, elasticidade e qualidade da pele, especialmente em tratamentos médicos de rejuvenescimento.
Embora aqui também seja necessário diferenciar potencial de resultados comprovados. As evidências clínicas disponíveis ainda não permitem afirmar com precisão quanto ele pode reduzir as rugas do rosto nem compará-lo a um tratamento médico antienvelhecimento ou a um preenchimento.
O que parece interessante é seu papel como bioestimulador: em vez de preencher uma ruga, a proposta é melhorar as condições para que a própria pele funcione melhor.
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A forma de utilizar o PDRN muda completamente dependendo de estarmos falando de medicina estética ou cosméticos. Em uma clínica, o ingrediente pode ser administrado por procedimentos que permitem introduzi-lo diretamente na pele.
Em casa, por outro lado, estamos falando de um cosmético que precisa enfrentar uma barreira cutânea que não foi exatamente feita para deixar moléculas entrarem livremente. Por isso, um sérum de PDRN e um tratamento injetável com PDRN não são equivalentes, mesmo que compartilhem o mesmo ingrediente.
Na medicina estética, os tratamentos injetáveis com PDRN e, especialmente, os produtos da família dos polinucleotídeos, ganharam popularidade com o conceito de Skin Boosters. Diferentemente de um preenchimento convencional, o objetivo aqui não é adicionar volume nem mudar o formato do rosto.
A ideia é melhorar progressivamente a qualidade da pele, trabalhando aspectos como textura, elasticidade, hidratação e determinados sinais do fotoenvelhecimento.
O tratamento é realizado por meio de múltiplas injeções superficiais ou intradérmicas, dependendo do produto e da técnica utilizada. Os estudos disponíveis encontraram resultados interessantes, mas ainda não existe um consenso definitivo sobre qual é a melhor formulação, qual concentração utilizar, quantas sessões são necessárias ou qual é a técnica ideal.
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Em uma rotina de cuidados em casa, o mais sensato é entender o PDRN como um ativo complementar para melhorar a hidratação e a qualidade da pele, sem esperar que um creme ou sérum consiga reproduzir os resultados de um produto injetado diretamente na derme.
Para incluí-lo no skincare, comece limpando o rosto com um produto suave e, em seguida, aplique o sérum de PDRN seguindo as orientações do fabricante. Depois, continue com o hidratante. Caso o ingrediente esteja presente em um creme hidratante, ele deve ser aplicado como último passo, como acontece com qualquer outro creme. Além disso, se for pela manhã, finalize a rotina com protetor solar.
A quantidade adequada dependerá do produto, da textura e das orientações de cada fabricante. O mais importante na hora de comprar é observar a fórmula completa e não se deixar levar apenas pelo fato de o produto dizer que contém PDRN.
Alguns dos cosméticos mais bem avaliados atualmente são:
© Divulgação, Medicube
PDRN Pink Serum, da Medicube: um dos séruns de PDRN mais conhecidos da cosmética coreana, com concentração de 10.000 ppm (1%) de PDRN de salmão, além de niacinamida, colágeno e um complexo de cinco peptídeos. A fórmula foi pensada para melhorar luminosidade, elasticidade e hidratação, com textura leve que deixa a pele viçosa.
© Divulgação, Anua
Anua PDRN Hyaluronic Acid 100 Moisturizing Cream: um hidratante leve que combina 100 ppm de PDRN derivado do DNA de salmão com ácido hialurônico, colágeno e niacinamida. Seu principal atrativo está na hidratação e no efeito de pele mais preenchida e luminosa. A própria marca afirma melhorias na hidratação por até 100 horas e no colágeno de até 68,3% em seus testes.
© Divulgação, Dr. Reju-All
Dr.Reju-All Advanced PDRN Rejuvenating Cream: esse creme aposta em 1.200 ppm de PDRN de salmão, concentração que a própria marca apresenta como sua "concentração ideal", além de niacinamida, pantenol, ácido hialurônico e colágeno hidrolisado. Tem textura leve de creme-gel e é especialmente voltado para hidratar, acalmar e melhorar a textura e a firmeza da pele.
© Divulgação, COSRX
COSRX 5 PDRN Collagen Intense Vitalizing Serum: diferentemente dos anteriores, a COSRX não informa em sua ficha oficial uma concentração específica em ppm. Sua fórmula combina cinco fontes de PDRN, provenientes de salmão, centella asiática, arroz, lactobacilos e uva-do-mar, com colágeno de baixo peso molecular, niacinamida, pantenol e ácido hialurônico. O produto foi desenvolvido para proporcionar hidratação e luminosidade e melhorar a aparência da elasticidade e da barreira cutânea.
Outra vantagem do PDRN é que ele não pertence ao grupo de ingredientes esfoliantes ou retinoides que costumam ser mais irritantes para a pele. Por isso, em princípio, pode conviver com muitos dos ativos comuns de uma rotina de skincare.
Com vitamina C, pode ser utilizado na mesma rotina caso a pele tolere bem os dois produtos. A vitamina C oferece ação antioxidante, enquanto o PDRN entra na rotina por seu potencial reparador.
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Com ácido hialurônico e niacinamida, a combinação faz especialmente sentido se a intenção for montar uma rotina focada em hidratação e fortalecimento da barreira cutânea.
Também pode ser combinado com retinoides, embora seja importante usar o bom senso. O PDRN pode ser incorporado depois do retinoide, completando a rotina com outro produto hidratante.
Se a pele for sensível ou você estiver introduzindo vários ativos novos, o mais prudente é fazer isso aos poucos. Afinal, a pele não precisa de uma corrida de revezamento de ingredientes ativos todas as noites.
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O fato de o PDRN apresentar um bom perfil de segurança não significa que seja um tratamento adequado para todo mundo ou que uma injeção possa ser realizada sem avaliação médica.
Além disso, é especialmente importante diferenciar o PDRN presente em um cosmético do PDRN ou dos polinucleotídeos administrados por injeção. O segundo é um procedimento médico e, como tal, envolve riscos associados tanto ao produto quanto à própria técnica.
Os estudos clínicos publicados até agora descrevem boa tolerabilidade geral, mas as revisões mais recentes concordam que ainda são necessárias pesquisas maiores e de melhor qualidade para estabelecer com precisão sua eficácia e segurança a longo prazo na medicina estética.
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Pessoas com alergia a peixe devem informar isso antes de realizar um tratamento injetável com PDRN ou polinucleotídeos. Embora esses produtos passem por processos de purificação, algumas fontes médicas recomendam evitá-los em pacientes com alergia a peixe ou frutos do mar devido ao possível risco de hipersensibilidade.
No caso da gravidez e da amamentação, a situação é ainda mais clara: não existem dados clínicos suficientes que permitam estabelecer a segurança dos tratamentos injetáveis com PDRN durante essas fases. Por precaução, o mais razoável é adiar esse tipo de tratamento até que existam informações suficientes.
Também não se deve realizar uma injeção em uma área com infecção cutânea ativa, ferida aberta ou lesão inflamatória que precise de avaliação médica.
Como qualquer procedimento injetável, ele pode provocar efeitos colaterais locais, como inflamação, hematomas ou dor, além de existir risco de infecção associado à técnica.
No entanto, como acontece com qualquer outro procedimento estético, é necessária uma avaliação profissional prévia e sua aplicação deve ser sempre realizada por um profissional de saúde qualificado.